Leitura comentada
Bauman, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
A identidade como tarefa precária na modernidade líquida — e o consumo como falso alívio.
Aqui estão reunidos os autores, os conceitos, as leituras comentadas e as apostilas que atravessam as formações do Laboratório. Procure por um nome, uma ideia ou um tema e siga o fio até a fase em que ele aparece.
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MROSC — Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil
Estabelece chamamento público, termo de fomento, termo de colaboração e acordo de cooperação, com regras de seleção e prestação de contas.
É o terreno legal concreto em que qualquer coletivo brasileiro pisa ao buscar recurso público.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderLogic Model Development Guide
Formaliza a cadeia insumos, atividades, produtos, resultados e impacto em um diagrama único que organiza o projeto inteiro.
É o formato que a maioria dos editais espera, mesmo quando não usa esse nome.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderGestão de ONGs: principais funções gerenciais (1997)
Sistematiza planejamento, organização, direção e controle adaptados a organizações da sociedade civil brasileiras.
Traduz vocabulário de administração para a escala e a cultura dos coletivos locais.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderComo Elaborar Projetos? (2003)
Referência brasileira sobre desenho de projetos sociais: da leitura de realidade ao marco lógico, com atenção ao contexto de organizações pequenas.
É o manual mais próximo da realidade de coletivos comunitários brasileiros que enfrentam editais pela primeira vez.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderDesenvolvimento como Liberdade (1999)
Desenvolvimento é a expansão das liberdades reais das pessoas para escolher a vida que têm razão de valorizar — não o aumento de renda em si.
Oferece o critério último de avaliação: o projeto ampliou as escolhas possíveis de alguém, ou apenas entregou bens?
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderWhose Reality Counts? (1997)
Inverte quem define os critérios de sucesso: os indicadores que importam são os que a própria comunidade reconhece como sinais de mudança.
Evita o projeto aprovado nos números do financiador e reprovado na percepção de quem vive no território.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderEvaluation (1972)
Avaliar não é só verificar se funcionou, mas testar a teoria implícita que explicava por que deveria funcionar.
Transforma o fracasso em informação: saber onde a cadeia se rompeu vale mais que saber que não deu certo.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderUtilization-Focused Evaluation (1978)
A qualidade de uma avaliação se mede pelo uso que dela se faz; por isso define-se antes quem vai usar o resultado e para decidir o quê.
Impede o relatório de avaliação que ninguém lê e que existe apenas para cumprir cláusula contratual.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderAdministração de Organizações sem Fins Lucrativos (1990)
A organização social não tem lucro para orientá-la; por isso a missão declarada precisa funcionar como filtro concreto de decisão sobre o que fazer e o que recusar.
Dá o instrumento para dizer não a oportunidades atraentes que desviariam o coletivo do que ele existe para fazer.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderEnsinando a Transgredir (1994)
A sala — ou a roda — é lugar de risco compartilhado: quem conduz também se expõe, e a voz de cada um é condição do aprendizado coletivo.
Define uma ética de facilitação: não há espaço seguro sem que quem coordena também esteja vulnerável.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaWhy Civil Resistance Works (2011), com Maria Stephan
Análise de centenas de campanhas mostra que as não violentas foram historicamente mais bem-sucedidas — sobretudo por conseguirem participação mais ampla e diversa.
Substitui a defesa moral da não violência por um argumento também estratégico, útil em assembleia.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaThe Politics of Nonviolent Action (1973)
Nenhum poder se sustenta sem cooperação; retirá-la de forma organizada, por métodos não violentos catalogados, o enfraquece.
Amplia o repertório muito além do abaixo-assinado e da manifestação.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaComo Chegar ao Sim (1981)
Separar as pessoas do problema, focar em interesses e não em posições, criar opções de ganho mútuo e usar critérios objetivos.
Converte impasse em acordo sem exigir que o lado mais fraco simplesmente ceda.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaRules for Radicals (1971)
Poder organizado se constrói com autointeresse declarado, vitórias pequenas e cumulativas e pressão sobre alvos específicos.
Traz realismo à mobilização — e um debate ético necessário sobre até onde vão os meios.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaPublic Narrative, Collective Action and Power (2011)
História de mim, história de nós e história do agora convertem valores em emoção e emoção em ação com pedido concreto.
É a ponte direta entre o Módulo 1 e a mobilização: a própria história vira instrumento político legítimo.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaFacilitator's Guide to Participatory Decision-Making (1996)
Entre a divergência inicial e a convergência final existe um período confuso e desconfortável, que precisa ser atravessado, não abreviado.
Explica por que reuniões que decidem rápido decidem mal — e por que facilitar é sobretudo sustentar o desconforto.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaDevelopmental Sequence in Small Groups (1965)
Grupos atravessam formação, tormenta, normatização, desempenho e encerramento; pular a tormenta apenas a adia.
Tira a culpa pessoal do conflito interno: brigar na segunda fase é previsível, e fugir dela adoece o coletivo.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaAction Research and Minority Problems (1946)
Ciclos de planejar, agir, observar e refletir, feitos pelo próprio grupo, produzem mudança e conhecimento ao mesmo tempo.
Dá a arquitetura de qualquer projeto comunitário sério: nenhuma ação é final, toda ação é rodada de aprendizagem.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaComunicação Não-Violenta (1999)
Separar fato de julgamento e emoção de acusação permite chegar à necessidade em jogo, que é o único terreno onde há acordo possível.
É a ferramenta de uso diário do trabalho comunitário: reunião tensa, cobrança entre pares, conversa com quem decide.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaGoverning the Commons (1990)
Comunidades conseguem gerir bens compartilhados de forma sustentável quando criam regras próprias, monitoramento e sanções graduais.
Desmente a ideia de que só o Estado ou o mercado dão conta do que é de todos. A praça, a horta e o poço podem ser autogeridos.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeGoverning the Commons (1990)
Fronteiras claras, regras locais, decisão coletiva, monitoramento, sanções graduais e resolução barata de conflitos permitem gerir bens compartilhados sem privatizar nem estatizar.
É o desenho institucional de qualquer coletivo que precisa durar mais que a energia de seus fundadores.
Estudado em Módulo 4, Avaliar para aprenderO poder: uma visão radical (1974)
Poder é vencer a decisão, mas também controlar o que entra em pauta e, no limite, moldar o que as pessoas julgam possível desejar.
Ensina a procurar o poder onde ele não aparece: no assunto que ninguém levanta e na resignação tratada como bom senso.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeBuilding Communities from the Inside Out (1993), com Kretzmann
Substitui o mapa de carências por um inventário de dons, associações, instituições, espaços e economia local já existentes.
Vira a mesa do diagnóstico: a comunidade deixa de ser lista de problemas e vira estoque de capacidades subaproveitadas.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeComunidade e Democracia (1993)
Confiança, normas de reciprocidade e redes de engajamento cívico tornam as instituições mais eficazes; distingue laços de ligação e de ponte.
Mostra que investir em convivência não é perda de tempo: é infraestrutura invisível de qualquer política pública.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeThe Strength of Weak Ties (1973)
Informação nova circula melhor por conhecidos distantes do que por amigos próximos, porque estes já sabem o que nós sabemos.
Explica por que ampliar a rede vale mais do que aprofundá-la quando o coletivo precisa de oportunidade, recurso ou aliado.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeA Ladder of Citizen Participation (1969)
A participação só existe quando há redistribuição de poder; oito degraus separam a manipulação do controle cidadão.
Dá uma régua honesta para avaliar conselhos, audiências e consultas — inclusive as promovidas pelo próprio coletivo.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeConocimiento y poder popular (1985)
Pesquisa e ação caminham juntas; o conhecimento produzido pertence à comunidade e volta para ela em forma utilizável.
Define a ética do diagnóstico: quem é pesquisado não pode ser apenas fonte de dado para relatório alheio.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existePedagogia do Oprimido (1968)
O trabalho começa levantando, com o povo, os temas geradores que organizam sua visão de mundo — e não com um conteúdo trazido de fora.
É o método do diagnóstico comunitário: ler o território com a comunidade, nunca sobre ela.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeExtensão ou Comunicação? (1969)
Comunicar não é estender um saber de quem sabe a quem não sabe; é encontro mediado pelo mundo, em que ambos os lados aprendem.
Corta pela raiz a postura de quem chega ao território para “conscientizar” os outros — que é extensão com nome bonito.
Estudado em Módulo 3, Conflito e poder na práticaMorte e Vida de Grandes Cidades (1961)
A segurança e a vitalidade urbanas vêm da presença contínua de pessoas com motivos legítimos para estar ali, sustentada por diversidade de usos e quarteirões curtos.
Ensina a observar antes de intervir. Muita solução de segurança destrói exatamente a convivência que produzia segurança.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeO Direito à Cidade (1968)
O espaço é produzido socialmente em três dimensões simultâneas: o plano dos técnicos, a prática cotidiana e a experiência simbólica de quem habita.
Explica por que um projeto tecnicamente impecável pode ser rejeitado: ele resolveu o espaço concebido e ignorou o vivido.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeA Natureza do Espaço (1996)
O espaço é um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. O que interessa não é o território em si, mas o território usado — o chão mais a vida que nele se faz.
Impede a leitura do bairro como cenário vazio à espera de projeto. Onde há uso, já há organização, história e disputa.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existeProblemas de Gênero (1990)
Identidades (a começar pelo gênero) se sustentam por atos, gestos e discursos repetidos — não por uma essência interna.
Se a identidade é performance, ela pode ser reconstruída. O protagonismo é uma performance subversiva consciente.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeIdentidade (2005)
Sem referências sólidas, a identidade vira tarefa individual, frágil e atrelada ao consumo — um ciclo de desejo e insatisfação.
O desafio do agente de mudança é oferecer pertencimento mais sólido do que o mercado consegue vender.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeA Reprodução (1970), com Passeron
A posição social se traduz em disposições duradouras (habitus) e em capitais desigualmente distribuídos, naturalizados pela escola.
Desnaturaliza o “peixe fora d’água”. O protagonista valida saberes da comunidade e combate a violência simbólica.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeEducação e Sociologia (1922)
A educação interioriza normas e valores da sociedade, criando o “ser social” em cada um e sustentando a coesão coletiva.
Lembra que nenhuma identidade nasce isolada: instituições (família, escola, comunidade) moldam o que sentimos como “eu”.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeMind, Self, and Society (1934)
O Self emerge do diálogo entre o “I” (impulso criativo) e o “Me” (normas internalizadas), pela interação simbólica.
A empatia — assumir o papel do outro — é o próprio mecanismo da identidade. O protagonista equilibra visão única e escuta do coletivo.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeA Formação Social da Mente (1930)
A mente e a autoconsciência se formam pela internalização de ferramentas culturais — sobretudo a linguagem — na interação social.
A mudança social é coletiva. O protagonista atua como mediador: usa a linguagem para construir significados compartilhados.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeA Psicologia da Criança (1966)
A criança constrói ativamente o conhecimento em estágios, até ser capaz de pensar de forma abstrata e hipotética.
O protagonismo exige pensamento crítico e a capacidade de analisar problemas complexos — habilidades do estágio das operações formais.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeInfância e Sociedade (1950)
A identidade é forjada em oito crises ao longo da vida, que constroem virtudes como confiança, autonomia e iniciativa.
Confiar, promover autonomia nos outros e tomar iniciativa não surgem do nada: são competências construídas (ou prejudicadas) nas crises da vida.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeO Brincar e a Realidade (1971)
Um “cuidado suficientemente bom” permite o Verdadeiro Self. Falhas ambientais levam ao Falso Self — uma fachada adaptativa.
A liderança que inspira emana do Verdadeiro Self. O protagonismo baseado no Falso Self é insustentável e gera desconfiança.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeTrês Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905)
A resolução dos conflitos de cada fase (oral, anal, fálica, latência, genital) molda traços inconscientes da personalidade adulta.
Ajuda a reconhecer padrões (dependência, controle, busca de aprovação) que pesam sobre o estilo de liderança e as relações de grupo.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeEmílio, ou Da Educação (1762)
A educação deve respeitar o ritmo natural da criança, protegendo-a dos vícios sociais para formar um adulto livre e autônomo.
Fundamenta a importância de criar ambientes (pessoais e comunitários) que respeitem a autonomia e a dignidade de cada pessoa.
Estudado em Módulo 1, As raízes da identidadeHabitus: um sistema de disposições duradouras — modos de perceber, sentir, pensar e agir — adquiridos sobretudo na infância, dentro de uma classe. É a “segunda natureza”: o que achamos belo ou brega, o sotaque, a postura, as aspirações. É o que nos faz “à vontade” ou “peixe fora d’água”.
Estudado em Módulo 1, O eu em contexto Abrir a ficha deste conceitoCapital cultural: conhecimentos, habilidades e credenciais valorizados pela cultura dominante. Existe incorporado (no corpo e na fala), objetivado (livros, obras) e institucionalizado (diplomas). Família e escola são as principais transmissoras.
Estudado em Módulo 1, O eu em contexto Abrir a ficha deste conceitoViolência simbólica: o processo sutil pelo qual instituições — especialmente a escola — impõem a cultura da classe dominante como se fosse a única legítima. Os saberes das classes populares são desvalorizados. O fracasso é sentido como falta de “dom”, quando é descompasso entre habitus e o que a escola exige. A Reprodução (1970), com Passeron, descreve esse mecanismo.
Estudado em Módulo 1, O eu em contexto Abrir a ficha deste conceitoLeitura comentada
Bauman, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
A identidade como tarefa precária na modernidade líquida — e o consumo como falso alívio.
Leitura comentada
Bourdieu, Pierre; Passeron, Jean-Claude. A Reprodução. Petrópolis: Vozes, 1970.
Habitus, capital cultural e violência simbólica no sistema de ensino.
Leitura comentada
Butler, Judith. Problemas de Gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003 (1990).
Performatividade: a identidade como efeito de atos repetidos, não como essência.
Leitura comentada
Durkheim, Émile. Educação e Sociologia. 1922.
A educação como instrumento de socialização e produção do ser social.
Leitura comentada
Erikson, Erik H. Infância e Sociedade. 1950.
Os oito estágios psicossociais e a crise de identidade como trabalho de toda a vida.
Leitura comentada
Mead, George Herbert. Mind, Self, and Society. 1934.
O Self como emergência da interação: o diálogo entre I e Me.
Leitura comentada
Rousseau, Jean-Jacques. Emílio, ou Da Educação. 1762.
A infância como fase com valor próprio — fundamento da pedagogia moderna.
Leitura comentada
Vygotsky, Lev S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
A mente como construção social mediada pela linguagem e pela cultura.
Leitura comentada
Winnicott, Donald. O Brincar e a Realidade. 1971.
Verdadeiro e Falso Self; o ambiente suficientemente bom.
Apostila
Todos os módulos em um único PDF: os capítulos, o quadro de autoras e autores, os esquemas, o caderno de atividades com espaço para escrever e as referências comentadas.
Configuração territorial: o conjunto dos objetos naturais e construídos de um lugar, tomados em si mesmos. É o que aparece na foto aérea e no cadastro da prefeitura.
Estudado em Módulo 2, Território, lugar e espaço vivido Abrir a ficha deste conceitoTerritório usado: essa mesma configuração somada ao uso que dela se faz. É o conceito operacional para quem atua na comunidade, porque desloca a pergunta de “o que existe aqui” para “quem faz o quê com o que existe aqui”.
Estudado em Módulo 2, Território, lugar e espaço vivido Abrir a ficha deste conceitoLugar: a porção do território onde a vida cotidiana produz identidade e solidariedade. Para Santos, é no lugar que se produz a resistência possível ao que vem de longe — e por isso o lugar interessa politicamente, não apenas afetivamente.
Estudado em Módulo 2, Território, lugar e espaço vivido Abrir a ficha deste conceitoPrimeira dimensão: o poder visível de vencer a decisão. Duas partes com interesses opostos disputam, e uma prevalece. É o poder da votação, do cargo, do contrato.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existe Abrir a ficha deste conceitoSegunda dimensão: o poder de controlar a agenda. Mais eficiente que ganhar o debate é impedir que ele exista — deixando o assunto fora da pauta, adiando a reunião, exigindo um trâmite que ninguém consegue cumprir.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existe Abrir a ficha deste conceitoTerceira dimensão: o poder de moldar as preferências. O mais profundo de todos. Consiste em fazer com que as pessoas aceitem como natural, inevitável ou merecida uma situação que as prejudica. Quando ninguém reclama porque ninguém imagina que poderia ser diferente, não é ausência de conflito: é conflito vencido antes de começar.
Estudado em Módulo 2, Poder, conflito e o que já existe Abrir a ficha deste conceitoLeitura comentada
ARNSTEIN, Sherry R. A Ladder of Citizen Participation. Journal of the American Institute of Planners, v. 35, n. 4, 1969.
Oito páginas que dão uma régua honesta para medir participação real.
Leitura comentada
BRANDÃO, Carlos Rodrigues (org.). Pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1981.
A tradição brasileira de pesquisar com a comunidade, não sobre ela.
Leitura comentada
FALS BORDA, Orlando. Conocimiento y poder popular. Bogotá: Siglo XXI, 1985.
A investigação-ação participativa e o dever de devolver o conhecimento.
Leitura comentada
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
Investigação temática, temas geradores e a leitura de mundo que antecede a palavra.
Leitura comentada
GRANOVETTER, Mark. The Strength of Weak Ties. American Journal of Sociology, v. 78, n. 6, 1973.
Por que a informação nova entra pela borda da rede, e não pelo centro.
Leitura comentada
JACOBS, Jane. Morte e Vida de Grandes Cidades. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2000 [1961].
Os olhos da rua e a defesa da observação paciente contra o urbanismo de gabinete.
Leitura comentada
KRETZMANN, John; McKNIGHT, John. Building Communities from the Inside Out. Evanston: ACTA Publications, 1993.
O inventário de ativos como alternativa ao diagnóstico de carências.
Leitura comentada
LEFEBVRE, Henri. O Direito à Cidade. São Paulo: Centauro, 2001 [1968].
O espaço como produção social em três registros: concebido, percebido, vivido.
Leitura comentada
LUKES, Steven. O poder: uma visão radical. Brasília: Editora UnB, 1980 [1974].
As três dimensões do poder, incluindo a que se disfarça de normalidade.
Leitura comentada
OSTROM, Elinor. Governing the Commons. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
A prova de campo de que comunidades governam bens comuns quando têm regras próprias.
Leitura comentada
PUTNAM, Robert D. Comunidade e Democracia: a experiência da Itália moderna. Rio de Janeiro: FGV, 1996 [1993].
Capital social como infraestrutura invisível do funcionamento institucional.
Leitura comentada
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
A obra central: espaço como sistemas de objetos e de ações, e a noção de território usado.
Leitura comentada
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2000.
A versão mais acessível do pensamento de Santos, boa porta de entrada para grupos de leitura.
Leitura comentada
ALINSKY, Saul D. Rules for Radicals. New York: Random House, 1971.
O clássico incômodo da organização comunitária: poder, autointeresse e vitórias cumulativas.
Leitura comentada
CHENOWETH, Erica; STEPHAN, Maria J. Why Civil Resistance Works. New York: Columbia University Press, 2011.
Evidência comparada sobre a eficácia estratégica — e não só moral — da ação não violenta.
Leitura comentada
FISHER, Roger; URY, William; PATTON, Bruce. Como Chegar ao Sim. Rio de Janeiro: Sextante, 2018 [1981].
Interesses contra posições e a melhor alternativa em caso de não acordo.
Leitura comentada
FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971 [1969].
A diferença entre estender um saber e comunicar-se com sujeitos.
Leitura comentada
GANZ, Marshall. Public Narrative, Collective Action, and Power. Washington: The World Bank, 2011.
História de mim, de nós e do agora: a ponte entre biografia e mobilização.
Leitura comentada
HOOKS, bell. Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013 [1994].
A ética de quem conduz: não há espaço seguro sem vulnerabilidade compartilhada.
Leitura comentada
KANER, Sam et al. Facilitator's Guide to Participatory Decision-Making. San Francisco: Jossey-Bass, 1996.
A zona do gemido e o desenho prático de encontros que decidem.
Leitura comentada
LEWIN, Kurt. Action Research and Minority Problems. Journal of Social Issues, v. 2, n. 4, 1946.
O ciclo planejar-agir-observar-refletir que estrutura todo projeto comunitário.
Leitura comentada
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação Não-Violenta. São Paulo: Ágora, 2006 [1999].
Os quatro passos e a distinção decisiva entre necessidade e estratégia.
Leitura comentada
SHARP, Gene. The Politics of Nonviolent Action. Boston: Porter Sargent, 1973.
O poder como obediência e o catálogo de métodos de não cooperação.
Leitura comentada
TUCKMAN, Bruce W. Developmental Sequence in Small Groups. Psychological Bulletin, v. 63, n. 6, 1965.
Formação, tormenta, normatização e desempenho — e por que a tormenta é inevitável.
Leitura comentada
ARMANI, Domingos. Como Elaborar Projetos? Guia prático para elaboração e gestão de projetos sociais. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2003.
A referência brasileira mais próxima da realidade de coletivos pequenos.
Leitura comentada
BRASIL. Lei nº 13.019, de 31 de julho de 2014 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil).
O terreno legal das parcerias com o poder público: instrumentos, chamamento e prestação de contas.
Leitura comentada
BRASIL. Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999 (qualificação como OSCIP).
Antecedente do MROSC, ainda relevante para entender o campo jurídico.
Leitura comentada
CHAMBERS, Robert. Whose Reality Counts? Putting the First Last. London: ITDG Publishing, 1997.
A inversão de quem define os critérios de sucesso na avaliação.
Leitura comentada
DRUCKER, Peter F. Administração de Organizações sem Fins Lucrativos. São Paulo: Pioneira, 1994 [1990].
A missão como critério operacional para decidir o que fazer e o que recusar.
Leitura comentada
OSTROM, Elinor. Governing the Commons: the evolution of institutions for collective action. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
Os oito princípios de governança coletiva, com base empírica em campo.
Leitura comentada
PATTON, Michael Quinn. Utilization-Focused Evaluation. 4. ed. Thousand Oaks: Sage, 2008 [1978].
A avaliação vale pelo uso que dela se faz — comece perguntando quem vai usar.
Leitura comentada
SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 [1999].
O critério de fundo: o projeto ampliou as escolhas reais de alguém?
Leitura comentada
TENÓRIO, Fernando G. (org.). Gestão de ONGs: principais funções gerenciais. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1997.
Vocabulário de gestão traduzido para a escala das organizações da sociedade civil.
Leitura comentada
W. K. KELLOGG FOUNDATION. Logic Model Development Guide. Battle Creek, 2004.
O modelo lógico que estrutura a maioria dos formulários de edital.
Leitura comentada
WEISS, Carol H. Evaluation: methods for studying programs and policies. 2. ed. Upper Saddle River: Prentice Hall, 1998.
Avaliar a teoria implícita do projeto, e não apenas seu resultado final.
Apostila
Todos os módulos em um único PDF: os capítulos, o quadro de autoras e autores, os esquemas, o caderno de atividades com espaço para escrever e as referências comentadas.
Nada encontrado com esses critérios. Tente outra palavra, um sinônimo ou limpe os filtros.