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Fase 5 de 7, Capítulo 424 min
Avaliar para aprender
Avaliação não serve para provar que deu certo. Serve para descobrir onde a hipótese se rompeu enquanto ainda dá tempo de mudar.
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Michael Quinn Patton propôs um critério simples e exigente: uma avaliação vale pelo uso que dela se faz. Por isso a primeira pergunta não é que método usar, mas quem vai usar o resultado e para decidir o quê. Avaliações desenhadas sem essa resposta produzem relatórios que só o financiador arquiva.
Carol Weiss acrescentou a avaliação baseada em teoria. Não basta saber se funcionou; interessa saber por que a cadeia lógica funcionou ou se rompeu. Um projeto pode falhar porque a atividade não aconteceu, porque aconteceu e não produziu o resultado esperado, ou porque a teoria estava errada desde o começo. São três diagnósticos com três correções completamente diferentes.
Robert Chambers inverteu a pergunta sobre critérios. Se a comunidade não reconhece como mudança aquilo que o indicador registra como sucesso, o indicador está medindo a coisa errada. Avaliação participativa significa que os sinais de mudança são definidos com quem vive a situação — e eles costumam ser mais concretos e mais reveladores do que os do formulário.
Amartya Sen oferece o critério de fundo. Desenvolvimento, para ele, é expansão das liberdades reais das pessoas para escolher a vida que têm razão de valorizar. Aplicado ao projeto comunitário, isso vira uma pergunta severa: ampliamos as escolhas possíveis de alguém, ou apenas entregamos bens e serviços que mantêm as mesmas escolhas de antes?
Na prática, um sistema de avaliação viável para coletivo pequeno tem quatro peças. Uma linha de base, registrada antes de começar, ainda que rudimentar — sem ela, qualquer melhora é opinião. Indicadores poucos e honestos, mistura de contagem e percepção. Registro contínuo e leve, feito por quem executa, e não por avaliador externo no final. E momentos definidos de parada para olhar os dados junto com quem participa.
Sobre a linha de base, um lembrete que economiza frustração: ela precisa ser feita antes, e quase sempre é lembrada depois. Cinco perguntas aplicadas na primeira semana valem mais do que uma pesquisa sofisticada no encerramento.
E é preciso proteger o direito de errar. Um coletivo que só publica resultado positivo aprende pouco e ensina menos. Registrar o que não funcionou, com honestidade e sem autoflagelação, é a contribuição mais generosa que um grupo pode fazer aos que vierem depois — e a mais rara.
Quadro de autoras e autores
10 pensadores atravessam os capítulos deste módulo. Use como consulta rápida durante a leitura.
Elinor Ostrom 1933–2012 Princípios de governança dos comuns
Governing the Commons (1990)
Como funciona
Fronteiras claras, regras locais, decisão coletiva, monitoramento, sanções graduais e resolução barata de conflitos permitem gerir bens compartilhados sem privatizar nem estatizar.
Por que importa aqui
É o desenho institucional de qualquer coletivo que precisa durar mais que a energia de seus fundadores.
Peter Drucker 1909–2005 Missão como critério de gestão
Administração de Organizações sem Fins Lucrativos (1990)
Como funciona
A organização social não tem lucro para orientá-la; por isso a missão declarada precisa funcionar como filtro concreto de decisão sobre o que fazer e o que recusar.
Por que importa aqui
Dá o instrumento para dizer não a oportunidades atraentes que desviariam o coletivo do que ele existe para fazer.
Michael Quinn Patton 1945– Avaliação orientada ao uso
Utilization-Focused Evaluation (1978)
Como funciona
A qualidade de uma avaliação se mede pelo uso que dela se faz; por isso define-se antes quem vai usar o resultado e para decidir o quê.
Por que importa aqui
Impede o relatório de avaliação que ninguém lê e que existe apenas para cumprir cláusula contratual.
Carol Weiss 1926–2013 Avaliação baseada em teoria
Evaluation (1972)
Como funciona
Avaliar não é só verificar se funcionou, mas testar a teoria implícita que explicava por que deveria funcionar.
Por que importa aqui
Transforma o fracasso em informação: saber onde a cadeia se rompeu vale mais que saber que não deu certo.
Robert Chambers 1932– Avaliação participativa
Whose Reality Counts? (1997)
Como funciona
Inverte quem define os critérios de sucesso: os indicadores que importam são os que a própria comunidade reconhece como sinais de mudança.
Por que importa aqui
Evita o projeto aprovado nos números do financiador e reprovado na percepção de quem vive no território.
Amartya Sen 1933– Capacidades
Desenvolvimento como Liberdade (1999)
Como funciona
Desenvolvimento é a expansão das liberdades reais das pessoas para escolher a vida que têm razão de valorizar — não o aumento de renda em si.
Por que importa aqui
Oferece o critério último de avaliação: o projeto ampliou as escolhas possíveis de alguém, ou apenas entregou bens?
Domingos Armani — Projeto como processo
Como Elaborar Projetos? (2003)
Como funciona
Referência brasileira sobre desenho de projetos sociais: da leitura de realidade ao marco lógico, com atenção ao contexto de organizações pequenas.
Por que importa aqui
É o manual mais próximo da realidade de coletivos comunitários brasileiros que enfrentam editais pela primeira vez.
Fernando Tenório — Gestão social
Gestão de ONGs: principais funções gerenciais (1997)
Como funciona
Sistematiza planejamento, organização, direção e controle adaptados a organizações da sociedade civil brasileiras.
Por que importa aqui
Traduz vocabulário de administração para a escala e a cultura dos coletivos locais.
W. K. Kellogg Foundation 2004 Modelo lógico
Logic Model Development Guide
Como funciona
Formaliza a cadeia insumos, atividades, produtos, resultados e impacto em um diagrama único que organiza o projeto inteiro.
Por que importa aqui
É o formato que a maioria dos editais espera, mesmo quando não usa esse nome.
Marco regulatório brasileiro Lei 13.019/2014 Parcerias entre Estado e sociedade civil
MROSC — Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil
Como funciona
Estabelece chamamento público, termo de fomento, termo de colaboração e acordo de cooperação, com regras de seleção e prestação de contas.
Por que importa aqui
É o terreno legal concreto em que qualquer coletivo brasileiro pisa ao buscar recurso público.
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Verifique sua leitura
Segundo Robert Chambers, quem deve definir os indicadores de sucesso?
A seguir: Caderno de atividades